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01/06/2011 11:19:03

Contaminação alimentar na Alemanha, continua o mistério.

Desvendando a origem da contaminação alimentar na Alemanha

El País

Veronika Hackenbroch, Samiha Shafy e Frank Thadeusz
Matéria publicada no site da UOL em 01/06/2011
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2011/06/01/desvendando-a-origem-da-contaminacao-alimentar-na-alemanha.jhtm



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Cientista testa bactéria E.Coli na Alemanha

 

A epidemia provocada pela bactéria E.coli (e.coli) na Alemanha, que até o momento já matou 15 pessoas, alarmou os médicos, que nunca antes haviam visto uma bactéria intestinal tão agressiva. Os epidemiologistas estão procurando desesperadamente a origem da bactéria letal.

O fato mais assustador, segundo Rolf Stahl, é a maneira como os pacientes mudam. “A consciência deles fica embotada, eles têm dificuldade para encontrar palavras e não sabem muito bem onde estão”, diz Stahl. E há também a agressividade surpreendente. “Nós estamos lidando com um quadro clínico completamente novo”, observa ele.

Stahl, um médico especialista em nefrologia de 62 anos de idade, chefia a Terceira Clínica e Policlínica Médica do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf (em alemão, Universitätsklinikum Hamburg-Eppendorf, ou UKE) há quase 18 anos. “Mas nenhum de nós, médicos, jamais havia experimentado algo como isso”, dez ele. A equipe dele e

 

stá trabalhando ininterruptamente no problema há cerca de uma semana. “Nós estamos sendo obrigados a decidir sem avisar com antecedência quem pode ir embora para casa a fim de dormir um pouco”.

A bactéria que está atualmente apavorando o país é a variedade e.coli enterohemorrágica, uma parente próxima de bactérias intestinais inofensivas, mas que produz a perigosa toxina shiga. São necessárias apenas cem bactérias – o que não é uma grande quantidade no mundo das bactérias, que normalmente se congregam aos milhões – para que uma pessoa seja infectada. Após um período de incubação de dois a dez dias, os pacientes apresentam um quadro de diarreia aquosa ou sanguinolenta.

Mas Stahl só vê os casos mais severos, aqueles nos quais a e.coli enterohemorrágica ataca também o sangue, os rins e o cérebro. Esses pacientes sofrem de uma complicação que implica em risco de morte, conhecida como síndrome hemolítico-urêmica. Aproximadamente dez dias após o início da diarreia, as células vermelhas subitamente se desintegram, a coagulação do sangue deixa de ocorrer e os rins param de funcionar. Em muitos casos os pacientes necessitam de diálise para não morrer.

“A situação está se deteriorando drasticamente para os nossos pacientes”, adverte Stahl. “E o pior de tudo é que nós não sabemos o que está causando isso”.

Na Alemanha, cerca de 60 pessoas por ano contraem a síndrome hemolítico-urêmica após terem sido infectadas pela bactéria. Na semana passada, este número de casos foi registrado em um único dia. Segundo o Instituto Robert Koch, a instituição alemã responsável pelo controle e a prevenção de doenças, havia até a última sexta-feira 276 pacientes atingidos pela síndrome hemolítico-urêmica na Alemanha.

Já na terça-feira havia 373 casos confirmados da doença no país. Até 15 pessoas podem já ter morrido devido à e.coli enterohemorrágica no decorrer do surto atual. Outros casos foram também registrados na Suécia, na Dinamarca, no Reino Unido, na Áustria e na Holanda. Enquanto isso, a Rússia proibiu a importação de pepinos, de tomates e de saladas cruas da Espanha e da Alemanha.

Trabalho de investigação
A história da epidemia teve início na clínica de Stahl. Quando o primeiro paciente suspeito de ter contraído a síndrome hemolítico-urêmica deu entrada na clínica na noite de uma quarta-feira há duas semanas, nenhum dos médicos tinha ideia do que estavam enfrentando. “No início nós não estávamos sequer pensando em E.coli enterohemorrágica, já que esta variedade da bactéria normalmente só afeta crianças”, conta Stahl. Nos adultos, por outro lado, a síndrome hemolítico-urêmica pode também ser causada por defeitos genéticos ou por doenças autoimunes, ou como efeito colateral de tratamentos contra o câncer.

No entanto, no dia seguinte apareceram subitamente mais sete ou oito casos similares na clínica, e o laboratório informou que todos esses pacientes tinham sido infectados pela e.coli enterohemorrágica. Hamburgo informou imediatamente o Instituto Robert Koch sobre a situação.

O processo que teve início naquele momento e que atingiu o seu clímax preliminar no final da semana passada, com o fechamento de duas unidades de produção de verduras e legumes na Espanha, é um exemplo de um impressionante trabalho de investigação epidemiológica. Esse trabalho envolve a cooperação estreita entre médicos vigilantes, epidemiologistas que pensam de forma pragmática e cientistas de laboratório atentos para detalhes.

Para os especialistas em controle de doenças do Instituto Robert Koch, isso dizia respeito principalmente a realizar duas tarefas simultaneamente e o mais rapidamente possível: encontrar os produtos alimentícios contaminados e determinar qual era o tipo de bactéria envolvida.

Extremamente rara
Helge Karch, diretor do laboratório de estudos da E.coli enterohemorrágica do Instituto Robert Koch, no Hospital da Universidade de Münster, no oeste da Alemanha, dedicou quase toda a sua vida de pesquisador às pesquisas sobre esta bactéria. “Mas eu nunca me deparei com algo como isso”, admite.

A primeira amostra de fezes chegou ao laboratório na segunda-feira. Os primeiros casos já tinham surgido, àquela altura, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Os integrantes da equipe de Karch deram início imediatamente aos trabalhos de análise. O resultado já era claro na noite da quarta-feira: eles estavam lidando com o extremamente raro sorotipo O104:H4.

Karch passou uma noite sem dormir em frente à tela do seu computador. O sorotipo que ele havia identificado era tão raro que só havia sido encontrado uma única vez em três décadas. Mas teria esta bactéria desencadeado uma epidemia em alguma outra ocasião?

Após vasculhar os bancos de dados em busca de periódicos de medicina, Karch descobriu apenas um artigo ao utilizar na sua busca o termo "O104:H4": um estudo de caso feito na Coreia. O caso coreano, assim como a maioria dos casos alemães, referia-se a uma mulher adulta que fora infectada pela e.coli enterohemorrágica, algo que é completamente atípico em se tratando desta bactéria.

DNA de uma peste?
Karch se mantém acordado tomando café, e para relaxar ele sai para caminhar com o seu cão pastor alemão. “Você é capaz de imaginar aquilo pelo qual eu estou passando?”, escreveu ele em um e-mail para Phillip Tarr, da Universidade de Washington em Saint Louis. A resposta à sua mensagem chegou às 4h27: “Epidemias são para homens mais jovens”. Tarr, o segundo maior especialista em e.coli enterohemorrágica depois de Karch, jamais tinha ouvido falar de uma epidemia de O104:H4.

No seu e-mail, Karch especulou sobre o motivo pelo qual a doença não estava atingindo crianças, conforme ocorre normalmente, mas somente adultos. E por que a infecção estaria atingindo mais gente do que nunca na Alemanha – tantas pessoas, de fato, que as unidades de hemodiálise de diversos hospitais encontravam-se quase lotadas?

Karch e outros pesquisadores especularam que o problema poderia residir no próprio patógeno. Talvez o material genético desta rara bactéria tivesse sofrido novamente uma mutação, de forma que a sua toxina ou a sua adesão às células intestinais que ela danifica tivesse se tornado mais forte. Os médicos esperam que um sequenciamento completo do genoma da bactéria, que está sendo feito neste momento em Münster, possa proporcionar algumas respostas.

Na terça-feira, o jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” anunciou que Karch havia descoberto que a bactéria O104:H4, responsável pela atual epidemia, é uma chamada “quimera” que contém material genético de diversas bactérias da espécie e.coli. Ela contém também sequências de DNA de bactérias da peste, o que a torna particularmente patogênica. No entanto, Karch frisou nas suas declarações ao jornal que ela não poderia provocar nenhuma forma de peste.

Identificando as refeições
Gérard Krause, diretor da divisão de epidemiologia infecciosa do Instituto Robert Koch, não dispunha de tempo para aguardar pelos resultados. Na manhã seguinte à descoberta, por parte do Instituto, dos casos bizarros ocorridos em Hamburgo, quatro membros da equipe de Krause seguiram para o epicentro da epidemia na cidade, a clínica de Rolf Stahl. Eles trouxeram consigo a ferramenta preferida dos epidemiologistas: o questionário.

Os pesquisadores sentaram-se pacientemente ao lado dos leitos daqueles pacientes que ainda se encontravam em uma condição boa o suficiente para que pudessem conversar.

Identificar as refeições que eles haviam consumido nos últimos dias não foi uma tarefa fácil. “O trabalho levou horas”, diz Krause. Mas os pesquisadores perceberam algo incomum: quase nenhum dos pacientes havia consumido carne ou leite crus, as causas de quase todos os surtos anteriores de e.coli enterohemorrágica, mas quase todos eles haviam comido vegetais não cozidos.

Poderia ter sido esta a razão pela qual a epidemia afetou principalmente mulheres, pelo menos no início? Teriam elas sido infectadas ao cortarem verduras e legumes na cozinha, ou a predominância de casos neste grupo teria sido provocada simplesmente pelo fato de as mulheres se alimentarem de forma mais saudável?

Na segunda-feira, a equipe de 15 membros do Instituto Robert Koch havia sido despachada para realizar um chamado estudo de caso-controle, utilizando dispositivos simples. “A operação tinha que ser executada rapidamente e sofrer a menor quantidade possível de interferências”.

Saindo às ruas
Os funcionários do Instituto Robert Koch entrevistaram um total de 25 pacientes do sexo feminino e compararam as respostas delas com as de quatro mulheres saudáveis que moravam na mesma área de Hamburgo e tinham mais ou menos a mesma idade. “O nosso pessoal simplesmente abordou na rua essas pessoas que não apresentavam a doença ou bateu às suas portas”, explica Krause. “Foi um trabalho de epidemiologia clássico, no qual você simplesmente sai às ruas em busca de dados”.

Os dados brutos foram a seguir transferidos para os computadores do Instituto Robert Koch em Berlim até às 2h, naquela madrugada. Na manhã da quarta-feira, Krause pôde apresentar os resultados: as fontes mais prováveis de infecção eram tomates, alface e pepinos.

Agora os inspetores de alimentos sabiam por onde começar a procurar. Eles já tinham trabalhado em Eimsbüttel, um bairro de Hamburgo, na semana retrasada. A primeira paciente do sexo feminino do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf em Hamburgo era de Eimsbüttel, diz Marianne Pfeil-Warnke, a diretora da divisão de segurança alimentar do distrito. Ela está sentada no seu escritório no sexto andar de um prédio do governo; uma mulher alta com cabelos ruivos luminosos e olhos azuis. Ela mantém o seu telefone celular em um cordão no pescoço, de forma que possa acessar o aparelho a qualquer momento.

“Na segunda-feira, nós fomos informados de que a bactéria aparentemente era oriunda de legumes ou verduras que crescem próximos ao solo”, diz Pfeil-Warnke. Ela enviou os seus inspetores a supermercados e bancas de verduras nos quais os pacientes haviam feito compras a fim de coletar amostras: alface romana, cenouras orgânicas, um pepino holandês, tomates em ramos, alface iceberg, um pacote de salada com vários ingredientes, uma salada pronta contendo carne de frango e um sanduíche de tomate e mozarela.

Um pé de kohlrabi (espécie de couve que se parece com nabo) foi recolhido em uma residência na qual uma criança havia adoecido. Um homem cuja mulher contraiu e.coli enterohemorrágica, e que também estava sofrendo de dores estomacais, trouxe alguns tomates para que os pesquisadores os examinassem.

Pepinos contaminados
Todas as amostras – cerca de 250 até o final da semana passada – que os inspetores de Pfeil-Warnke e os seus congêneres nos seus outros distritos de Hamburgo coletaram foram parar no laboratório de Anselm Lehmacherk, no Instituto de Higiene e Meio Ambiente de Hamburgo. Lehmacher, um biólogo especializado em alimentos, está sentado na biblioteca no quinto andar do instituto usando uma camisa estampada de cores vivas. Ele é um homem inteligente de cabelos curtos. Os quatro pepinos contaminados com a e.coli enterohemorrágica que acabaram fazendo com que o país fosse tomado por uma fobia em relação a pepinos foram descobertos no seu laboratório na última quinta-feira.

A partir da segunda-feira da semana passada, os inspetores de alimentos têm trazido ao laboratório de Lehmacher grandes quantidades de legumes e verduras, incluindo amostras coletadas no mercado central de Hamburgo. “Os quatro resultados positivos foram descobertos entre essas amostras”, diz Lehmacher, com um sorriso e uma ligeira expressão de orgulho na face. As amostras positivas foram três pepinos que vieram da Espanha, e um outro, de algum outro lugar, possivelmente da Holanda, embora isso ainda não tivesse sido esclarecido até o final da semana passada. Dois dos pepinos eram orgânicos diz Lehmacher, mas ele ainda não tem certeza quanto aos outros dois.

Agora que se descobriu que os pepinos seriam a origem da epidemia, os riscos mais sérios teriam sido evitados? Lehmacher balança a cabeça. “Embora o foco se concentre neste momento nos pepinos e no rastreamento do percurso seguido por eles até Hamburgo, eu temo que também venhamos a encontrar a bactéria em outras amostras”, diz Lehmacher.

Na terça-feira desta semana, a situação se complicou quando a ministra da Saúde de Hamburgo, Cornelia Prüfer-Storcks, fez um anúncio surpresa dizendo que os pepinos espanhóis provavelmente não foram a origem da onda de infecções pela e.coli enterohemorrágica. As bactérias encontradas em duas das quatro amostras de pepinos não correspondem ao tipo de e.coli enterohemorrágica encontrado nas amostras de fezes dos pacientes, informou a ministra. “Esses resultados iniciais significam que a nossa esperança de que tivéssemos descoberto a origem da epidemia infelizmente não se concretizou”, acrescentou Prüfer-Storcks.

Indignação na Espanha
Enquanto isso, como resultado da descoberta de Lehmacher, os investigadores voltaram agora as suas atenções para a Espanha. Todos os anos, a Alemanha importa três milhões de toneladas de frutas, verduras e legumes dessa nação mediterrânea, mais do que de qualquer outro país. Cerca de 80% destes produtos são cultivados na Andaluzia, que foi também a origem dos três pepinos espanhóis contaminados com a E.coli enterohemorrágica. Mas esta região, em particular, há muito tempo possui uma má reputação. Trabalhadores temporários marroquinos trabalham em longas jornadas em estufas por salários baixíssimos – e sob condições de higienes duvidosas. Não seriam os fornecedores espanhóis os responsáveis óbvios pela epidemia?

De forma alguma, conforme se descobriu, já que as práticas de produção na região melhoraram nos últimos tempos. “Atualmente a Espanha se encontra em uma boa posição. Os produtos são limpos”, afirma Manfred Santen, especialista em química da organização ambiental Greenpeace. De fato, os produtores espanhóis modificaram fundamentalmente as suas condições de trabalho e produção.

Não é de se surpreender, portanto, que os espanhóis estejam indignados e sintam que foram transformados em bodes expiatórios. As duas unidades de produção de onde vieram os pepinos contaminados foram fechadas na noite da última sexta-feira.

Teoria do esterco
O fato é que, o que quer que tenha acontecido, a questão de como o patógeno chegou aos legumes ainda não havia sido resolvida no último fim de semana. A suspeita de que esterco líquido tenha contaminado os pepinos parece fazer sentido, mas somente à primeira vista.

A bactéria E.coli é produzida nos intestinos de ruminantes – vacas, carneiros e cabras – e chega aos campos de cultivo por meio dos excrementos desses animais. Os produtores de verduras e legumes que não possuem animais de criação podem comprar urina e fezes de animais de fazendas dos fornecedores do chamado esterco líquido. No entanto, a regra é que as plantas jamais entrem em contato direto com o esterco líquido, que é espalhado nos campos antes da semeadura.

Desde a década de oitenta, os Estados Unidos também enfrentaram vários surtos fatais de E.coli. Enquanto procuravam identificar as fontes da infecção, os cientistas norte-americanos descobriram que a bactéria entrava no ciclo de produção agrícola através dos sistemas de irrigação. Cientistas canadenses encontraram altas concentrações do patógeno em amostras retiradas de poços próximos às instalações de processamento de fazendas estadunidenses.

Mas essa descoberta dificilmente se aplicaria ao atual caso europeu. Na Espanha, existe uma quantidade muito pequena de animais de criação nos locais em que frutas, verduras e legumes são cultivados.

Caramujos sob suspeita
Agora os cientistas estão examinando com maior atenção uma praga que antigamente estava acima de qualquer suspeita: os caramujos. Biólogos da Universidade de Aberdeen, na Escócia, identificaram os moluscos como sendo potenciais vetores da E.coli – a bactéria é capaz de sobreviver até 14 dias na superfície viscosa dos corpos dessas criaturas. O Arion vulgaris, um caramujo espanhol, é há muito tempo um problema na Alemanha, mas ele é um problema ainda maior e mais disseminado na sua nativa Espanha.

Qualquer que tenha sido a fonte da bactéria – esterco líquido, água ou caramujos, pepinos ou alface, produtos orgânicos ou convencionais –, a única solução para os consumidores é lavar as mãos. Lavar as mãos também é uma medida eficaz contra a transmissão da bactéria por meio de mãos não lavadas após o uso do banheiro, mas essa rota infecciosa é muito rara.

As frutas, os legumes e as verduras só são totalmente seguras no que se refere a germes quando são cozidos. E, até o momento, acreditava-se que a lavagem desses produtos com água era uma maneira eficaz de eliminar o risco, já que a ideia era que a E.coli só estaria presente na superfície desses alimentos.

Mas foi aí que cientistas do Departamento de Fitopatologia do Instituto Escocês de Pesquisas de Produtos Agrícolas, em Aberdeen, fizeram uma descoberta alarmante: os patógenos aparentemente sentem-se tão confortáveis nos tomates e no alface por eles estudados que esses micróbios migram da superfície para as camadas mais profundas de tecido a fim de colonizarem os frutos.

“Tudo deverá dar certo”
Talvez tenham sido essas bactérias particularmente resistentes que acabaram se mostrando tão desastrosas para Caroline E. A estudante de 24 anos de idade, que está grávida de quatro meses, sempre se empenhou em consumir alimentos saudáveis. Ela geralmente compra verduras e legumes orgânicos, e sempre os lava. Agora ela se encontra na Ala 5B do Centro Médico Universitário Hamburgo-Eppendorf, que foi reservado para vários casos de síndrome hemolítico-urêmica desde a última quarta-feira. Um guarda de bigodes está sentado à entrada da ala hospitalar para garantir que os visitantes desinfetem as mãos e coloquem luvas de plástico e trajes de proteção.

“Eu vi pessoas na unidade de tratamento intensivo que estavam muito mal”, diz Caroline E., uma jovem de cabelos lisos e castanhos claros, que usa óculos de desenho angulado. Ela diz que o seu único sintoma foi uma diarreia leve. De fato, ela só foi ao médico após descobrir que um colega de trabalho havia sido infectado pela E.coli enterohemorrágica. “Eu só queria me certificar de que não havia contraído a doença”, explica ela. Mas àquela altura ela já estava sofrendo da síndrome hemolítico-urêmica.

Os médicos ainda não sabem como Caroline contraiu a doença, mas ela parece estar calma. “Eu me sinto melhor agora que estou sendo submetida ao tratamento”, explica ela, observando que os médicos lhe garantiram que a infecção não prejudicará o seu bebê. “Se eles forem capazes de melhorar os resultados dos meus hemogramas logo, tudo deverá dar certo”, diz ela.

E ela acrescenta, desafiadoramente: “Eu poderei até mesmo comer chocolate de novo”.

Tradução: UOL

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